lunes, julio 16, 2007

As declaraçoes do Saramago


Entre o blog de Dani e a web de El País teño lido con moito interese as declaración do Premio Nobel portugués. Non é a primeira vez que opina deste xeito, pero sí é a primeira que o fai con tanta claridade e no seu país.

Seguramente lle caeran paos tanto en España coma en Portugal pero non é unha idea ou profetización extravagante. O país veciño e irmán de Galicia atravesa unha complicada situación económica tras unha epoca de bonanza o chegar a UE. Os portugueses continúan a emigrar e contanse por miles os que teñen que cruzar a fronteira para traballar na construcción polas dificultades do país.

Nunha recente enquisa en Portugal saía que había un 30% de portugueses favorables á integración, a pregunta é ¿deben España e Portugal seguir vivindo casi de costas? Considero que a integración sería positiva para todos , eu penso que hai varias nacións nesta península que terían que vivir máis integradas e con máis respeito entre elas, sobretodo por parte dese centralismo nacional español

Dende logo unha futura integración na Iberia da que fala Saramago tería que respetar pulcramente todo o gran patrimonio que ten Portugal, non so Portugal se tería que integrar en España, España debería integrarse en Portugal tamén.

Con todo non deixa de haber paradoxas, veña uns a pedir independencias e veña outros a pedir integracións.

Recoméndovos que leades a entrevista, está en portugués para comenzar xa a entedermos



Não sou profeta, mas Portugal acabará por integrar-se na Espanha"

JOÃO CÉU E SILVA (texto e foto)

Este foi o regresso mais longo de José Saramago a Portugal desde que a polémica que envolveu a candidatura do seu livro O Evangelho segundo Jesus Cristo ao Prémio Literário Europeu o levou para um "exílio" na ilha espanhola de Lanzarote. A atribuição do Prémio Nobel parece tê-lo feito esquecer essas mágoas, mas não amoleceu a sua visão da sociedade e da História, que continua a ser polémica. Como se pode ver nesta entrevista. Durante dois dias, o Nobel da Literatura português sentou-se no sofá e analisou o estado do mundo. Na única entrevista que concedeu durante a temporada passada na sua casa de Lisboa, falou muito de política, mais de literatura e também da vida e da morte. Pelo meio ficou o anúncio da criação da fundação com o seu nome e a revelação de que está a escrever um novo livro.A união ibérica

Este regresso a Portugal é um perdão?

O país não me fez mal algum, não confundamos, nem há nenhuma reconciliação porque não houve nenhum corte. O que aconteceu foi com um governo de um partido que já não é governo, com um senhor chamado Sousa Lara e outro de nome Santana Lopes. Claro que as responsabilidades estendem-se ao governo, a quem eu pedi o favor de fazer qualquer coisa mas não fez nada, e resolvi ir embora. Quando foi do Prémio Nobel, dei uma volta pelo país porque toda a gente me queria ver, até pessoas que não lêem apareceram! E desde então tenho vindo com muita frequência a Lisboa.

Vive num país que pouco a pouco toma conta da economia portuguesa. Não o incomoda?

Acho que é uma situação natural.Qual é o futuro de Portugal nesta península?Não vale a pena armar -me em profeta, mas acho que acabaremos por integrar-nos.Política, económica ou culturalmente?Culturalmente, não, a Catalunha tem a sua própria cultura, que é ao mesmo tempo comum ao resto da Espanha, tal como a dos bascos e a galega, nós não nos converteríamos em espanhóis. Quando olhamos para a Península Ibérica o que é que vemos? Observamos um conjunto, que não está partida em bocados e que é um todo que está composto de nacionalidades, e em alguns casos de línguas diferentes, mas que tem vivido mais ou menos em paz. Integrados o que é que aconteceria? Não deixaríamos de falar português, não deixaríamos de escrever na nossa língua e certamente com dez milhões de habitantes teríamos tudo a ganhar em desenvolvimento nesse tipo de aproximação e de integração territorial, administrativa e estrutural. Quanto à queixa que tantas vezes ouço sobre a economia espanhola estar a ocupar Portugal, não me lembro de alguma vez termos reclamado de outras economias como as dos Estados Unidos ou da Inglaterra, que também ocuparam o país. Ninguém se queixou, mas como desta vez é o castelhano que vencemos em Aljubarrota que vem por aí com empresas em vez de armas...Seria, então, mais uma província de Espanha?Seria isso. Já temos a Andaluzia, a Catalunha, o País Basco, a Galiza, Castilla la Mancha e tínhamos Portugal. Provavelmente [Espanha] teria de mudar de nome e passar a chamar-se Ibéria. Se Espanha ofende os nossos brios, era uma questão a negociar. O Ceilão não se chama agora Sri Lanka, muitos países da Ásia mudaram de nome e a União Soviética não passou a Federação Russa?Mas algumas das províncias espanholas também querem ser independentes!A única independência real que se pede é a do País Basco e mesmo assim ninguém acredita.

E os portugueses aceitariam a integração?

Acho que sim, desde que isso fosse explicado, não é uma cedência nem acabar com um país, continuaria de outra maneira. Repito que não se deixaria de falar, de pensar e sentir em português. Seríamos aqui aquilo que os catalães querem ser e estão a ser na Catalunha.

E como é que seria esse governo da Ibéria?

Não iríamos ser governados por espanhóis, haveria representantes dos partidos de ambos os países, que teriam representação num parlamento único com todas as forças políticas da Ibéria, e tal como em Espanha, onde cada autonomia tem o seu parlamento próprio, nós também o teríamos.Há duas Espanhas Há duas Espanhas neste caso. Evidentemente, tratam-me como se fosse um deles, mas com as finanças espanholas ando numa guerra há, pelo menos, quatro anos porque querem que pague lá os impostos e consideram que lhes devo uma grande quantidade de dinheiro. Eu recusei-me a pagar e o meu argumento é extremamente simples, não pago duas vezes o que já paguei uma. Se há duplicação de impostos, então que o governo espanhol se entenda com o português e decidam. Eu tenho cá a minha casa e a minha residência fiscal sempre foi em Lisboa, ou seja, não há dúvidas de que estou numa situação de plena legalidade. Quanto aos impostos, e é por aí que também se vê o patriotismo, pago-os pontualmente em Portugal. Nunca pus o meu dinheiro num paraíso fiscal e repugna-me pensar que há quem o faça. O meu dinheiro é para aquilo que o Governo entender que serve.

Mas não pode negar que o olham como um deus...

Não diria tanto...

Mesmo sendo a crítica espanhola tão positiva em relação à sua obra?

Também já foi uma ou outra vez um pouco negativa - talvez devido às minhas posições políticas e ideológicas - mas de um modo geral tenho uma excelente crítica em toda a parte, como é o caso dos EUA, onde é quase unânime na apreciação da minha obra.

5 comentarios:

Anónimo dijo...

Nico, se como dis España e Portugal viven de costas cómo é que temos cousas en común...? A vecindade ou proximidade xeográfica debería ser causa de entendemento pero non necesariamente de unión.
Sen dúbida que se xenerou un interesante debate.

Kali

Nico dijo...

Kali, hai séculos de historia común pero tamén hai moito descoñecemento, pídelle a un de Alicante que te diga máis de 2 cidades portuguesas e xa verás como o pasa mal.
Din que a unión fai a forza, a min non me desagradaría...

Anónimo dijo...

Não tem nem pés nem cabeça. Isto não faria mais que uma perda de identidade e descontrole... um perigo.

Frederico Nunes de Carvalho dijo...

Que enquestas son esas que dan 30% de portugueses favorables a una unión con España? Fueran hechas por la Prisa no? Que broma!!

Nico dijo...

La Voz de Galicia:

REDACCIÓN | El pasado mes de septiembre, el semanario portugués O SOL publicó una encuesta que llegaba a la conclusión de que un 28% de los portugueses estarían dispuestos a formar parte de un único país peninsular. Al 72% restante no le gustaba la idea.

Lo curioso del sondeo es que un 97% de los preguntados opinaron que sería económicamente positivo para Portugal una unión con España.

La encuesta preguntaba dos cosas más: ¿dónde debería estar la capital? Con un 41% de respuestas a favor de Lisboa, y un 42% a favor de Madrid.

Un 75% de los consultados creen que en esa hipotética integración portugueses y españoles serían tratados por igual y sin diferencias en cuanto a derechos.